Combate contra a insegurança alimentar

A realização progressiva do Direito à Alimentação adequada exige dos Estados e da sociedade um combate contra a insegurança alimentar a todos os níveis: é reconhecido que as maiores dificuldades de acesso regular a uma alimentação adequada e existência de níveis de saúde deficientes estão ligadas às situações de vulnerabilidade sócio económica das populações. 

Razão pela qual a garantia da segurança alimentar dos mais desfavorecidos é, ou deve ser, uma componente importante das políticas públicas de luta contra a pobreza e as desigualdades sociais.

 

A “incapacidade financeira para ter uma refeição de carne ou de peixe (ou equivalente vegetariano) pelo menos de dois em dois dias” é um dos indicadores usados para avaliar o estado de privação material das famílias. 

 

Dados do final de 2019 revelam que 21,6% da população residente em Portugal, ou seja, mais de 2,2 milhões de pessoas, se encontravam em risco de pobreza ou de exclusão social. Destes, 80% estavam em risco de pobreza monetária (1 772 mil pessoas), 21% viviam em agregados com intensidade laboral muito reduzida e 26% em situação de privação material severa. Em 2019, cerca de 85 mil pessoas acumulavam estas três vulnerabilidades.  Aguardam-se ainda os dados referentes às consequências da crise criada pela pandemia de COVID-19 em 2020 e 2021.

Neste contexto, a ajuda alimentar constituiu e constitui uma das respostas à luta contra a precariedade alimentar. Não uma ajuda estrutural, mas uma ajuda directa e imediata, muitas vezes urgente, que minimiza os efeitos da carência alimentar dos mais vulneráveis e mais carenciados, sobretudo em tempos de crises económicas, financeiras e/ou sociais.

A luta contra a precariedade alimentar, no quadro da luta contra a pobreza e a exclusão social tem, ou deve ter, como objectivo favorecer o acesso a uma alimentação segura, diversificada, de boa qualidade e em quantidade suficiente às pessoas em situação de vulnerabilidade económica ou social.

Ao aliviar apenas os efeitos imediatos, a ajuda alimentar deverá considerar-se por natureza temporária e excepcional, constituindo um apoio provisório para uma saída sustentável dos patamares de pobreza e de exclusão social que normalmente estão associados às situações de carência e insegurança alimentar. 

 

Serão normalmente as políticas públicas no domínio económico, social e da saúde, que terão a responsabilidade primeira de lutar pela erradicação da pobreza estrutural, atenuando ou eliminando a necessidade da ajuda alimentar.

 

A ajuda alimentar pode integrar políticas públicas activas de compra e distribuição de alimentos e pode, como sucede na maioria das situações e dos países europeus, ser proveniente de doações particulares de indivíduos, em géneros ou em dinheiro, obtidas através de campanhas de recolha junto das populações, de doações institucionais e de entregas de excedentes por parte dos agentes económicos ligados ao comércio, à distribuição, à indústria alimenta e à agricultura. 

Meios e Instrumentos da Ajuda Alimentar na Europa

Meios e Instrumentos da Ajuda Alimentar na Europa

Saber mais
Meios e Instrumentos da Ajuda Alimentar em Portugal

Meios e Instrumentos da Ajuda Alimentar em Portugal

Saber mais

Subscreva a nossa newsletter

Se deseja receber informação actualizada sobre a Aliança Contra a Fome e Má-nutrição Portugal, por favor insira o seu email:

Subscrever Newsletter