A nível mundial, as organizações das Nações Unidas FAO, FIDA, UNICEF, PAM e OMS, realizam anualmente o levantamento e análise da situação em todas as zonas do globo no que respeita à segurança alimentar e nutrição.
A edição 2025 do relatório das Nações Unidas sobre o estado da segurança alimentar no mundo, revela que cerca de 673 milhões de pessoas ( 8,2% da população mundial) foram afectadas pela fome em 2024.
Esta avaliação, medida pela prevalência da subnutrição (Indicador 2.2.1 dos ODS), mostra uma redução em relação aos 8,5% registados em 2023 e 8,7% em 2022. No entanto, os níveis continuam acima do período pré pandémico; em 2019 o número rondava os 613 milhões.
As Nações Unidas estimam ainda que cerca de 2 mil e 300 milhões de pessoas viveram em situação de insegurança alimentar moderada ou grave (Indicador 2.2.2 dos ODS), uma diminuição ligeira face a 2023, de 28,4% para 28%, mas que representa mais 335 milhões que em 2019, antes da pandemia, e 683 milhões a mais do que em 2015, ano em que foi lançada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
As Nações Unidas identificam como as principais origens da insegurança alimentar mundial uma combinação de factores económicos, climáticos e geopolíticos: conflitos armados e guerras, mudanças climáticas e eventos extremos, inflação e aumento do preço dos alimentos.
O relatório revela também que há desigualdades significativas entre as diversas regiões do mundo. De um modo geral, a insegurança alimentar está a diminuir na América Latina e nas Caraíbas e a reduzir gradualmente na Ásia, mas a aumentar em África.
A prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave em África (58, 9%) é mais do dobro da média global (28%), enquanto na América Latina, Caraíbas e Ásia, está abaixo da estimativa global com 25,2%, 23,3% e 26,35 respectivamente.
A manterem-se estas tendências, as cinco agências das Nações Unidas envolvidas neste levantamento avisam que será impossível cumprir o objectivo Fome Zero – acabar com a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição em todas as suas formas – até 2030.
A ONU considera que o mundo está fora da trajetória necessária para cumprir com o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2)